Calatonia

O que é a Calatonia

A Calatonia é uma técnica de relaxamento profundo criada pelo Dr. Pethö Sándor. Trata-se de um método idealizado a partir do atendimento a amputados e congelados, com queixas de membro fantasma, abalamento nervoso , depressões e reações compulsivas.


A palavra Calatonia vem do grego khalaó e significa relaxação, alimentação, afastar-se do estado de ira, abrir uma porta, deixar ir.

Entenda Melhor:

A sustentação da tensão muscular é desgastante para o organismo porque consome grande quantidade de energia. Como, infelizmente, a tensão física nem sempre é claramente percebida, os nós que se formam no corpo, dela resultantes, permanecem inconscientes. As tensões carregadas no corpo podem ser libertadas de diferentes maneiras, algumas vezes catedraticamente, ou por tiques, tremores, tosse, gagueira, choro e outras manifestações (ARCURI, 2004).

A utilidade da Calatonia nesse processo de colocar consciência e inconsciente em contato é o que se busca. O método utiliza a sensibilidade cutânea, que apresenta aspectos entrelaçados com a vida afetiva e racional em maior intensidade do que outras áreas de percepção sensorial. O estímulo tátil possibilita a síntese de várias percepções singulares a cada indivíduo e, ao proporcionar a percepção de diversas condições e qualidades de pressão, calor, frio, dor e suas gradações, dá margem a uma vivência multi-sensorial.

CALATONIA deriva da palavra grega Khalaõ, que significa relaxação, alimentação, afastar-se do estado de ira, abrir uma porta, desatar as amarras de um Podre, deixar ir, perdoar os pais, retirar todas as vendas dos olhos, etc. (SÁNDOR, 1982)

A aplicação do método calatônico propicia uma diminuição do nível de consciência de forma que, espontaneamente, os conteúdos inconscientes aflorem em imagens autônomas. Abre-se a possibilidade, assim, de um diálogo com os complexos personificados e descerra-se o caminho para a integração de conteúdos inconscientes. Os relatos dos pacientes devem ser ouvidos de maneira a não recrudescer resistências, evitando interpretações redutivas.

A Calatonia nos encoraja a viver o extraordinário bem dentro do cotidiano. Ela age facilitando o acesso ao corpo sutil em estado de vigília. E mais do que isso, ela mostra que a experiência pode ser compartilhada. (PENNA, 2007).

A Calatonia, comseus suaves toques, encontra nos pés uma porta de acesso para a alma, transportando o paciente, entre comutações psicofísicas diversas, ao universo inconsciente das imagens (TOLEDO, 2001).

A aplicação da Calatonia em sua modalidade principal, nos pés, promove efeitos que vêm sendo estudados clinicamente. Sua peculiaridade reside no alcance da estimulação tátil na relação terapêutica. Esta condição enfatiza as qualidades empáticas do contato suave na pele, além dos aspectos simbólicos dos pés que, estando na parte mais inferior do corpo humano podem ser, analogicamente, depositários dos conteúdos básicos da personalidade, juntamente com as pernas e a pelve.
Os pés têm sido tratados tradicionalmente como símbolos da alma humana e local de projeção dos conteúdos infantis. Esta concepção é amplamente difundida, tanto que os conteúdos projetados na extremidade inferior do corpo estão presentes, inclusive, em mitos como o Saci Pererê e o Curupira que, no folclore brasileiro, são entidades protetoras dos recursos naturais.

Os pés ligam o ser humano ao chão, à terra que não somente o sustenta, mas também o atrai para baixo.
Muito frequentemente, os toques nos pés estimulam o aparecimento de imagens de movimento ou alterações do equilíbrio, fazendo com que a pessoa se perceba em posições diferentes daquela em que realmente está.

Emergem, ainda, lembranças relativas aos primeiros passos e a quedas, a correr, dançar, momentos que se propõem ao sujeito não apenas como reminiscências, mas acompanhados dos conteúdos afetivos correspondentes.

Naturalmente, cabe ao terapeuta assinalar o alcance individual ou coletivo dos conteúdos originários da estimulação calatônica dos pés ou das mãos. Sua interpretação constitui um momento privilegiado. Nem sempre é oportuno interpretar as imagens obtidas durante o relaxamento, havendo casos em que a verbalização pelo paciente já constitui elaboração suficiente e uma grande vitória sobre a resistência.

Durante o relaxamento a pessoa tem a oportunidade de observar-se a partir de outro ponto de vista e captar aquilo que seu inconsciente está querendo dizer. Esta visão interior contribui para a compreensão de lembranças e imagens sensoriais: são experiências do corpo vividas intensamente no passado e ligadas ao momento presente.
No método calatônico o silêncio e a ausência de controle visual colaboram para enfatizar a pele como meio e mensagem da relação que se constitui. As mãos do terapeuta podem, então, representar um ponto de contato com o mundo exterior que permite à pessoa realizar a transição entre o estado de alerta e o relaxamento.
As mãos têm um papel importante neste processo, pois remetem às questões da relação com a mãe. Nesse sentido, as mãos desempenhariam um papel análogo ao dos "objetos transicionais", facilitando o mergulho introspectivo e assegurando o retomo construtivo da libido.

Os objetos transicionais trazem proteção e impedem que a ansiedade, naturalmente elevada pelos conteúdos da entrada no inconsciente, desorganize a identidade egóica. As mãos do terapeuta podem ser percebidas como um objeto a meio caminho entre o objetivo e o subjetivo, sendo, então, parcialmente incorporadas durante a experiência de descontração.

Com a continuidade do desenvolvimento do indivíduo, ele poderá criar relações objetais propriamente ditas, valendo-se destas vivências de soltura psicológica e física que correspondem ao estado de relaxação. Nas ocasiões em que as reações neurovegetativas são também mobilizadas, pode-se ter choro ou uma gostosa vontade de rir, além de outras expressões fisiológicas com significados afetivos, como de alegria ou de tristeza. A "volta à terra" que este derretimento promove, aproxima o paciente de zonas inconscientes muitas vezes intocadas, produzindo experiências "arquetípicas", onde o somático e o psicológico não estão ainda dicotomizados, nem diferenciados. A energia libidinal pode então ser conscientemente percebida, fluindo no próprio corpo, sem controle voluntário, gerando eventualmente medo e angústia, tanto quanto prazer e alegria (PENNA, 1984).

CALATONIA E MANDALAS NA ATUAÇÃO CLÍNICA. Irene Gaeta
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